má notícia

Março 26, 2009 at 3:27 pm (histórias, música, pensamentos, tristeza, video)

Passou por aqui, para pedir os direitos dela, a Morte. Há muito tempo estava por aqui, talvez escondida no alto das árvores do jardim, atrás duma porta qualquer ou em cima do telhado. Talvez a tenhamos confundido com um pássaro, uma aranha ou um rangido estranho de porta. Talvez tenhamos olhado para ela tantas vezes, disfarçada, mas não a reconhecemos.

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Deve ter ficado escondida por aí, a afiar os dentes, e depois atacou. Levou um homem que amava a Vida mais do que qualquer outra coisa, que amava tudo o que a Vida tinha de bom. Passou por aqui como um sopro gelado e aterrorizou-nos. Fez desaparecer um homem que, até ontem, se sentava à mesa connosco, que se ria connosco e com as nossas brincadeiras. Um homem que estava VIVO.

apus

O sopro DELA congela-nos sempre que entramos em contacto, como se nós também morressemos um pouco, ao mesmo tempo. Em vez de nos dar mais vontade de viver, por contraste, a Morte ameaça-nos com o dedo e lembra-nos quão fágeis somos: uma mão cheia de pó com um pouco de luz divina a animá-la. Só isso.

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3 comentários

  1. Ricardo B. Motta said,

    Clarisa, meus sentimentos. Talvez, uma história de Buda possa trazer algum aconchego…

    Certo dia uma Mãe chegou perante Buda, com o filho morto em seus braços. Desesperada, acreditando ser ele um salvador, pediu que o fizesse viver novamente. Complacente com a dor daquela mulher ele disse que sim, que o faria. Mas para isso, seria necessário que ela encontrasse pelo menos uma casa onde a morte não havia nunca aparecido. Por dias a fio, a mulher andou pela cidade. Toda casa que batia lhe respondiam acertivamente. “- Sim, no ano passado levou o meu irmão”. “- Sim, este mês levou meu pai”. E assim por diante. Até que chegou um instante que sua mente despertou para a impermanência e ela retornou ao Buda dizendo “- Sim, agora eu compreendo”.

    A dor da morte é ilusória como a vida o é. Quando o carma se acaba, simplesmente deixamos este ciclo para entrar em outro, com a mesma natureza ilusória. Recomenda-se 49 dias de oração para um espírito que entra no bardo. Seja qual for a crença, a energia da oração é o que de melhor podemos oferecer a quem amamos.

    Leia mais aqui: http://www.samsara.blog.br/search/label/morte

  2. coreamor said,

    Obrigada, Ricardo. Eu também compreendo, mas custa dizer adeus. E o pior é que não tenho a certeza de que a morte seja só uma passagem. Não consigo acreditar a 100% 😦

  3. Ricardo B. Motta said,

    Entendo, Clarisa. E o melhor é você não se forçar a acreditar. O próprio Buda Shakyamuni incentivava seus ouvintes a confiarem apenas na sua própria experiência. Quando comecei a entrar em contato com os ensinamentos, me apoiei muito na nova ciência da física quântica. Um autor que já citei no meu blog (Amit Goswami) tem um livro interessante a respeito, intitulado “A Física da Alma”. Veja no seu site http://www.amitgoswami.org/pt/books/ (a tradução portuguesa está péssima, mas pode ajudar na procura pelo livro). Abs!

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