carnaval

Fevereiro 24, 2009 at 3:17 pm (artes, filme, histórias, música, pensamentos, viagem, video) (, , )

Sempre que é carnaval não posso deixar de pensar na Veneza e no Brasil. É normal fazer estas associações, e este ano não é uma excepção para mim.

Já ouvi falar muito sobre os bailes da Veneza, mas para mim são longínquos e não me dizem nada. Nunca fui à Itália (apesar de querer fazer turismo lá, um dia destes) e nunca me atraiu com nada de especial. Não como Portugal.

rio

(As fotos do Brasil tirei-as do site www.fotos-hz4.com)

Muito mais longínquo, em termos geográficos, é o Brasil, mas sinto-me mais familiarizada com a cultura brasileira (de certeza é uma falsa impressão)

brasil

Alguns leitores do meu blogue romeno tocaram no assunto do livro que eu traduzi e que foi escrito por um brasileiro (Cidade de Deus, autor Paulo Lins).

orasul-domnului-polirom1

Eu sei, não tem nada a ver com a bijutaria, mas também não é nenhuma vergonha admitir que traduzi um livro, portanto vou afirmar claramente que é um livro muito interessante, e o filme inspirado nesse livro é extraordinário.

Ao ver o filme Slumdog Millionaire (tãi falado nestes dias) lembrei-me de alguma maneira da Cidade de Deus: os bairros de lata, a miséria, as crianças que tentam sobreviver, a violência, estes são pontos comuns dos dois filmes, pelo menos a uma análise superficial deles. Quem não viu nenhum deles, perdeu 🙂

cristo-redentor

No livro de que estou a falar, o Carnaval ocupa um lugar bem definido, vê-se quão a sério estão a levar os brasileiros esta festa. Para mim, pelo menos, foi muito interessante saber tudo isso, é um mundo tão longínquo e tão diferente…

Hoje vou tentar deixar aqui uma pequena homenagem ao Carnaval, ao Brasil, à samba e ao filme Cidade de Deus, tudo duma vez, para poupar espaço 🙂


Anúncios

3 comentários

  1. Ricardo B. Motta said,

    Olá, Clarisa. Ver sua homenagem foi um tiro na consciência. Nós, que aqui vivemos, nem sempre temos a coragem de olhar com verdade a natureza sangrenta da pobreza. Vemos só a riqueza da arte, isso sim! O contraste entre a fantasia e a realidade, entre o belo-paradisíaco e o poético-selvagem, se misturam na mesma identidade. Beauty & Beast vivendo um romance a la tupiniquim. Outro dia imaginei o que não se pensa sobre o Brasil. E o pior, o que não se atrai quando assim se pensa. Aqui há mais, muito mais do que se aparenta. Mas como mostrá-lo se os rótulos são tão globais? Sina ou carma, que só o tempo pode reverter. Forte abraço!

  2. coreamor said,

    olá, Ricardo, finalmente viu o meu post 🙂
    espero não ter percebido que faço questão de mostrar a parte miserável do Brasil, longe de mim essa ideia! o Brasil é como é e deve ter de tudo, e também não se pode reduzir um país só aos brilhos do Carnaval que duram 3 dias.
    toda a gente sabe que o Brasil é um país lindo e cheio de extremos, o que produz o fascínio! eu estou longe dos dois extremos do Brasil, e por estar longe talvez veja bem.
    as favelas são uns dos lugares mais perigosos DO MUNDO, e o Rio é a cidade de que se diz que é a mais bonita DO MUNDO. Como é que se vive entre extremos, entre gente riquíssima a fazer vida de rei e, do outro lado, a miséria extrema, em estados dentro do estado! o que é que se passa nesse país? donde vem aquela alegria, aquela energia toda que nos cansa ou nos fascina a nós, europeus nascidos já cansados? ou talvez não seja assim? os brasileiros que conheço pessoalmente são assim mesmo.
    também sei exactamente o que quer dizer com a penúltima frase: o meu país está também rotulado e não da mais agradável maneira e não sei se vou viver para chegar a ver as coisas mudando, melhorando. não é o tempo que vai reverter a situação, são as pessoas, cada uma por si, juntas. 🙂
    pois… pode-se falar muito sobre o assunto… (esta foi uma conversa “entre rotulados” 😉 )

  3. Ricardo B. Motta said,

    Pois é, Clarisa. Quem não vive de rótulos no mundo de hoje? Se até os vegetais, que antes eram apenas cenouras e couves, agora têm nomes fantasia. Quando vi o vídeo acima não consegui contar quantas armas aparecem, mas podemos dizer que mais de três é rótulo, certo? 😉 No fundo, não pensei nada sobre seu julgamento, apenas senti o impacto da fusão e imaginei como outros povos viveriam esta experiência. Dizem que amor e ódio caminham juntos. É vero, pois possuem o mesmo DNA: o desejo. E viver no extremo é um grande perigo, seja de um lado ou do outro. Temo mais que sejamos extremistas do que conflitantes, pois do choque (quando pacífico e saudável) é possível tirar conclusões e evoluir. Mas somos aquilo que plantamos e não se pode colher maçã quando jogamos sementes de limão amargo. Por isso semeio o amor e a compaixão, mesmo que ele tenha alguma dose indigesta. Não é a toa que o nome do filme, “Cidade de Deus”, traz consigo a mesma qualidade dúbia que discutimos. Para finalizar, Portugal, cá pra nós, só tem um rótulo. Inigualável. Que se chama Saudade! 🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: