má notícia
Passou por aqui, para pedir os direitos dela, a Morte. Há muito tempo estava por aqui, talvez escondida no alto das árvores do jardim, atrás duma porta qualquer ou em cima do telhado. Talvez a tenhamos confundido com um pássaro, uma aranha ou um rangido estranho de porta. Talvez tenhamos olhado para ela tantas vezes, disfarçada, mas não a reconhecemos.
Deve ter ficado escondida por aí, a afiar os dentes, e depois atacou. Levou um homem que amava a Vida mais do que qualquer outra coisa, que amava tudo o que a Vida tinha de bom. Passou por aqui como um sopro gelado e aterrorizou-nos. Fez desaparecer um homem que, até ontem, se sentava à mesa connosco, que se ria connosco e com as nossas brincadeiras. Um homem que estava VIVO.
O sopro DELA congela-nos sempre que entramos em contacto, como se nós também morressemos um pouco, ao mesmo tempo. Em vez de nos dar mais vontade de viver, por contraste, a Morte ameaça-nos com o dedo e lembra-nos quão fágeis somos: uma mão cheia de pó com um pouco de luz divina a animá-la. Só isso.
esmeralda
Há tanto tempo estava à espera duma oportunidade para usar este nome tão lindo! ESMERALDA!
Desta vez, dei este nome às minhas “crianças”, cujas fotos podem ver abaixo. Nome de pedra e nome de mulher. Claro que as pedras das minhas peças de bijutaria não são esmeraldas, mas sim plástico (acrílico?) colorido de maneira agradável. Nem desta vez resisti à tentação e “imortalizei” as “pedras” em arame, para ter a certeza de que serão admiradas
Depois de tirar fotos às peças, ainda lhes dei um toque para as acabar como deve ser. É que estava tão impaciente para lhes tirar fotos…
Infelizmente para as senhoras e meninas com dedos muito pequenos, estes anéis só existem em tamanho grande. Desculpem…
O importante é que continuo a sentir um prazer imenso em inventar formas novas e em brincar com o arame, e os pendentes oferecem-me mais liberdade para criar, comparando com os anéis. Estou impaciente de vos mostrar mais!
pinturas rupestres
Um dia, o homem que vivia na caverna sentiu-se inspirado pelos deuses. Farto de desenhar só animais e pessoas nas paredes da gruta (normalmente para avisar a esposa que iria caçar com os amigos), o artista começou a riscar na rocha um sinal que lhe pareceu misterioso e harmonioso.
Já tinha desenhado outros símbolos nas paredes da gruta, mas este agradou-lhe bastante.
À luz do fogo doméstico, o nosso homem sentou-se e ficou a olhar para o seu desenho, sonhador.
Sonhava que, no futuro, quando o mundo seria irreconhecível, quando a caça ficaria escassa nas florestas, quando a água ficaria envenenada nos rios, o céu seria atravessado por aves imensas, brilhantes, que nem sequer precisam de mexer as asas para voarem, naquela altura alguém, uma outra pessoa, iria contemplar o mesmo desenho, a pensar nele, o homem da caverna.
E este pensamento fê-lo sentir-se feliz: a sua arte não iria morrer…
o som da música
Quem me conhece bem, sabe que sou uma apaixonada da música. Não canto, nem toco nenhum instrumento, não conheço teoria, mas oiço quase o tempo todo música de quase todos os géneros. Aprecio tanto Mozart, como Metallica, Amália Rodrigues e António Variações, The Doors e Martírio, Bregovici e Compay Segundo, Maria Bethânia e Led Zeppelin, Bach e Mano Solo, Jacques Brel e Dead can Dance, flamenco e hard’n'heavy, speed e fado, música cigana e música medieval.
Gostava de ter tocado piano e viola, violoncelo e acordeão, saxofone e harmónica, como o Dylan. No 2º ano de faculdade comprei um block-flute em que aprendi a tocar (mal) só duas ou três canções. Nunca progredi mais do que isso
Os concertos da minha vida foram Page & Plant em Bucareste (maravilhoso!!!!!) e Iron Maiden (onde entrei com o crachá emprestado por um jornalista). Adorei também o concerto dos restos de The Doors , aqui no Algarve (adorei ver o Manzarek ao vivo, é charmante e toca tão bem!!!!!)
Mas sobre a música vou falar noutras alturas também, é um assunto inesgotável na minha vida!
segunda-feira em albufeira…
Começa mais uma semana, com esforço, com sono, com saudades já do fim-de-semana.
Ultimamente, tenho escrito menos neste blogue e tenho-me concentrado mais no outro, no romeno. A única razão foi o tempo escasso. Enfim, não foi a única, visto que também na Roménia é uma altura de festa para as mulheres, o começo da Primavera no calendário é ocasião para prendas oferecidas a todas as mulheres. E isso acontece durante as primeiras semanas do Março, não só no dia 8, não só no dia 1º.
Ainda por cima, estive a escrever sobre o stock que enviei para Bucareste (novamente), “evento” que não podia interessar de facto nenhum português
É lá que o há um interesse cada vez maior pelos trabalhos feitos à mão, pelas coisas bonitas… As mulheres da minha terra já se cansaram um bocado da invasão de mercadorias impessoais, em massa…
Hoje queria também assinalar um blogue e um gesto que achei muito engraçados: recebi um mail duma senhora/menina/rapariga (?) que adora as cerejas, mas tanto tanto, que fez um blogue sobre e com cerejas
isto é que é GOSTAR DE CEREJAS! Respeito essa paixão e acho que deviamos explorar, talvez até esgotar, aquilo que nos agrada, que nos torna apaixonados. Agora, enquanto temos tempo, agora é o momento de fazermos o que gostamos.
Achei piada ao blogue www.coisasdecereja.blogspot.com e achei natural o facto de ela me ter perguntado sobre o anel e o pendente Cherries, pois se integram perfeitamente no universo “cerejérico” passe a expressão.
















